sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Sexta-feira do tempo de Natal - P Dehonianos


Lectio
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Evangelho: Marcos 1, 7-11
João Baptista pregava assim: «Depois de mim vai chegar outro que é mais forte do que eu, diante do qual não sou digno de me inclinar para lhe desatar as correias das sandálias. BTenho-vos baptizado em água, mas Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo.» 9Por aqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no Jordão. 10*Quando saía da água, viu os céus abertos e o Espírito descer sobre Ele como uma pomba. 11 E do céu veio uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado, em ti pus todo o meu encanto.»

João apresenta as características de um verdadeiro profeta: é pobre e austero, proclama a Palavra de Deus, é independente da mentalidade do mundo que o rodeia. Jesus apresenta-se a ele como o último dos pecadores. Mas João reconhece-O a apresenta-o ao povo como alguém superior a ele: «Depois de mim vai chegar outro que é mais forte do que eu, diante do qual não sou digno de me inclinar para lhe desatar as correias das sandálias» (v. 7).

Jesus partilha a condição do homem pecador. Por isso Se apresenta ao baptismo de penitência. Mas o Pai proclama-O inocente e realça a sua condição divina: «Tu és o meu Filho muito amado, em ti pus todo o meu encanto» (v. 11).

Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. N’Ele harmonizam-se a divindade e a humanidade. Por isso, enquanto o baptismo de João é realizada «na água», o de Jesus é realizado «no Espírito Santo». Jesus recebe o baptismo de João mas, ao sair da água, é investido com o poder e a força do Espírito, em vista da missão que há-de realizar. Jesus é o «Servo» em quem repousa o Espírito (cf. Is 42, 1). Não sai das águas do Nilo, como Moisés, mas das águas do Jordão (cf. Is 63, 11). Guiará o povo às pastagens verdejantes de paz, de salvação e de justiça.

Meditatio
O baptismo de Jesus, que o evangelho hoje nos recorda, foi uma etapa decisiva na Sua manifestação ao mundo como Deus, uma espécie de segunda epifania. Os acontecimentos do nascimento já estavam longe. Trinta anos de silêncio e de escondimento tinham feito de Jesus um homem entre os homens. Militão de Sardes diz que esses anos demonstram a humanidade de Cristo em tudo semelhante à nossa.

O baptismo de Jesus encerra essa fase da vida de Jesus, em que se fez homem semelhante a nós, em que imitou o homem. Confundido entre a multidão, Jesus vem submeter¬se a um rito que o põe ao nível dos pecadores, daqueles que precisam de ser purificados. Mas é nesse momento que se manifesta a vinda do Messias prometido e há tanto tempo esperado por Israel. É também nesse momento que se revela a sua divindade: «Tu és o meu Filho muito amado, em ti pus todo o meu encanto» (v. 11). O Inocente faz-se pecado para salvar o homem pecador. Mas é oficialmente apresentado ao mundo pelo Pai, como o Messias que fala e actua em Seu nome. Começa a vida pública de Jesus. A partir desse momento ouvimo-Lo afirmar: «ouvistes o que foi ditotsnes eu vos digo ». Jesus começa a falar com uma autoridade que espanta os escribas e fariseus.

Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. É essa fé da Igreja. É essa a fé que leva à vida: «Quem tem o Filho de Deus tem a vida»(1 Jo 5, 12).

S. Pedro diz-nos que Deus que, depois do baptismo que João pregou, «Deus ungiu com o Espírito Santo e com o poder a Jesus de Nazaré» (Act 10, 37). João Baptista tinha dito: «Tenho-vos baptizado em água, mas Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo» (v. 8). A descida do Espírito Santo é o ponto de partida da redenção. Começou a nova criação porque o Espírito reapareceu sobre as águas como no princípio (cf. Gn 1,2).
O Espírito estava em Jesus desde o seu nascimento, de modo silencioso e escondido.
Agora, essa realidade manifesta-se ao mundo. Revela-se a unção profética e messiânica de Jesus. Ao mesmo tempo ecoa a voz do Pai: «Tu és o meu Filho muito amado, em ti pus todo o meu encanto» (v. 11). Aquele que se fizera servo é proclamado como Filho (cf. Is 40, 2). Por isso, o Pai acrescenta: «Escutai-O!» (Mc 9, 7).

Havemos de escutar Jesus que ainda hoje nos fala no Evangelho, porque nos fala em nome de Deus. Escutar não é só ouvir e fazer o que manda. É, sobretudo, acreditar n’Ele, aderir a Ele na fé, acolhê-Lo. Deus vem até nós na revelação; nós havemos de ir até Ele na fé.

Jesus Cristo fez-Se solidário com os homens pecadores para os salvar. Também nós, salvos pelo sua solidariedade misericordiosa, havemos de ser solidários com todos os homens nossos irmãos, especialmente com os que andam mais afastados de Deus. "Longe de nos alhear dos homens, a nossa profissão dos conselhos evangélicos torna-nos mais solidários com a sua vida" (Cst. 38). A consagração religiosa coloca-nos «ao serviço da missão salvífica do Povo de Deus no mundo de hoje (Cst. 27).

Oratio
Senhor Jesus, Tu convidas-nos a acreditar em Ti, mas também afirmas que será o Espírito Santo a fecundar o nosso coração de crentes e discípulos. Por isso, quero hoje pedir-Te, com insistência, o teu Espírito Santo e a graça de ser dócil às suas inspirações para crescer na fé, para a interiorizar e para Te conhecer cada vez mais e melhor. Só Tu é o Messias. Só Tu és a Verdade. A tua Palavra é a Lei que conduz à salvação. Torna-me testemunha da Verdade, que és Tu. Torna-me participante da tua missão de Messias, pela prática animada pelo teu Espírito, das obras de misericórdia espirituais e corporais. Amen.

Contemplatio
o baptismo do Salvador é o último acto da sua longa preparação de trinta anos. Já é publicamente oferecido ao seu Pai na Circuncisão e na Apresentação no Templo, vem ainda oferecer-se nas margens do Jordão. João Baptista, como profeta autorizado de Deus, chama os Israelitas para o baptismo de penitência, para os preparar para o reino do Messias. Jesus não tem necessidade do baptismo, tal como não tinha necessidade da Circuncisão nem da Apresentação nem do resgate no Templo. Mas vem como vítima e como reparador. Assume sobre si a responsabilidade dos nossos pecados. Quer cumprir toda a lei antiga, que era uma lei de purificação e de preparação. Recebeu o baptismo, não para si, mas pelos homens seus irmãos. É mergulhado na água como símbolo de morte e de ressurreição. O seu baptismo simboliza e anuncia a sua morte real e a sua ressurreição, enquanto que o nosso exprime somente uma morte espiritual para o pecado e a ressurreição para a vida sobrenatural.

S. João queria opor-se ao baptismo de Jesus, que nada tem a purificar, mas Jesus responde-lhe que deve cumprir toda a justiça, e entende com isto a justa expiação das nossas faltas.
Que viva impressão de sofrimento, mas também de amor pelo seu Pai e por nós o Coração de Jesus deve ter sentido nesta morte simbólica! (Leão Dehon, OSP 3, p. 219).

Actio
Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo» (Mc 1, 8).

IN Portal Dehonianos

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